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sábado, 26 de dezembro de 2015

Nova terapia genética faz células de câncer cometerem 'suicídio'




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Image captionTaxas de sobrevivência de pacientes submetidos ao estudo após cinco anos foram de 97% e 94%

Uma nova terapia genética permitiu modificar células de câncer de próstata para que o corpo do paciente possa atacá-las e matá-las.
A técnica descoberta por cientistas americanos induz o tumor a se autodestruir - daí o nome "terapia do gene suicida".
A pesquisa identificou um aumento de 20% no índice de sobrevivência de pacientes com câncer de próstata após cinco anos de tratamento.
Mas um especialista em câncer consultado pela BBC disse que estudos adicionais são necessários para comprovar a eficácia do tratamento.
No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais frequente entre homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. É também o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens - representa cerca de 10% do total de cânceres.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Hospital Metodista de Houston, no Texas, parece mostrar que essa "terapia do gene suicida", combinada com radioterapia, pode ser um tratamento promissor para o câncer de próstata no futuro.
A técnica envolve a modificação genética de células cancerosas, que passam a emitir um "sinal" ao sistema imunológico para atacá-las.
Em geral, o corpo não reconhece células cancerosas como inimigas, porque elas se desenvolvem a partir de células saudáveis comuns.
Diferentemente de uma infecção, que motiva reação do corpo, o sistema imunológico não reage para matar células cancerosas.



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Image captionEm geral, corpo não reconhece tumor como inimigo, porque ele se desenvolvem a partir de células saudáveis. A nova técnica pretende alterar essa lógica

Usando um vírus para transportar a terapia genética até o tumor, o resultado é que as células se autodestroem, alertando o sistema imunológico do paciente para lançar um ataque em massa.

Sobrevivência

Em dois grupos de 62 pacientes, um recebeu a terapia genética duas vezes e o outro grupo - todos com uma forma agressiva de câncer de próstata - foi tratado três vezes.
Os dois grupos também receberam radioterapia.
As taxas de sobrevivência após cinco anos foram de 97% e 94%, respectivamente. Embora o estudo não tenha empregado grupo de controle, os pesquisadores dizem que os resultados mostram um avanço de 5% a 20% em relação a estudos anteriores sobre tratamentos de câncer de próstata.
Biopsias realizadas dois anos após o estudo deram negativo em 83% e 79% dos pacientes dos dois grupos.
Brian Butler, da equipe do Hospital Metodista de Houston, disse que a descoberta poderá mudar a forma como o câncer de próstata é tratado.
"Poderemos injetar o agente diretamente no tumor e deixar o corpo matar as células cancerosas. Uma vez que o sistema imunológico tenha conhecimento das células cancerosas, se elas voltarem, o corpo saberá como matá-las."

'Nova geração'

Kevin Harrington, professor de imunoterapia oncológica no Instituto para Pesquisa do Câncer, em Londres, disse que os resultados são "muito interessantes", mas citou a necessidade de mais estudos.
"Podemos precisar de um teste aleatório para mostrar se esse tratamento é melhor do que apenas a radioterapia. Os vírus usados nesse estudo não se reproduzem. A nova geração de terapias virais pode se replicar seletivamente em células cancerosas - algo que pode matar o câncer de forma direta - e também ajudar a espalhar o vírus para células cancerosas vizinhas", afirmou.
Harrington disse ainda que seria "interessante" testar o tratamento com vírus que podem se reproduzir, para verificar se os resultados podem ser ainda mais efetivos.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Arquiteto cria casa 'ecológica' com conta de luz anual de apenas R$ 90

Divulgação
Image captionA "casa passiva" produziu quase toda a energia que consumiu
O mesmo consumo de uma lâmpada de 40 watts, ao custo de cerca de R$ 90 por ano. Essa é a conta de luz da Passivhaus, em West Kirby, subúrbio de Liverpool, uma "casa econômica" que acaba de ganhar um prêmio nacional de energia, o Building and Energy Efficiency Awards.
A casa de quartos foi construída com alvenaria isolante e suas janelas tem vidros triplos para conservar o calor. Todas as lâmpadas são LED e o sistema de aquecimento e refrigeração que bombeia ar quente para dentro da casa.
Para o dono da casa, Colin Usher, a Passivhaus (casa passiva, em alemão), "dilui o mito de que casas ecológicas e radicalmente diferentes". O imóvel, por sinal, tem preço competitivo para o mercado britânico: 240 mil libras esterlinas - R$ 1,41 milhão.
Construída em 2014, a Passivhaus consome um total de 3453 kw/hora por ano, mas gera 3338 kw/hora com seus painéis solares. Uma casa do mesmo porte construída pela empresa de arquitetura de Usher apresentou custos energéticos de mais de R$ 10 mil por ano. O modelo de casa econômica é de origem alemã e foi usado para projetos imobiliários na Alemanha nas décadas de 80 e 90.
Há 37 mil "casas passivas" do gênero em todo o mundo, de acordo com o Passivhaus Institute, ONG responsável pelo movimento por imóveis energicamente eficientes. A entidade regula os princípios de design e construção. Mas segundo Usher, o desempenho de sua casa é até melhor que o sugerido pela entidade alemã.
"Estamos com metas quatro vezes melhores que as recomendadas pelo Passivhaus Institute", diz ele.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Satélite europeu disponibiliza imagens em alta resolução da Terra – encontre sua casa

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Image captionO delta do rio Okavango, em Botswana, na África, se torna um oásis nesta época do ano pelo efeito de fortes chuvas. As dunas de Kalahari aparecem à esquerda em colaração rosa
O Sentinel-2a, novo satélite de observação da União Europeia, entrou em operação.
Usuários podem agora, mediante um registro simples na internet, baixar qualquer imagem do planeta.
O satélite, que estava em teste desde seu lançamento, em junho, registra imagens da superfície em luz comum e infravermelha.
Suas imagens serão usadas por pesquisadores para acompanhar uma série de situações, do crescimento das megalópoles ao desenvolvimento das principais culturas de alimentos do mundo. Outro emprego promissor será em estudos climáticos.
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Image captionA cidade de Swakopmund está coberta por nuvens na imagem, mas as dunas do deserto da Namíbia estão visíveis. O Sentinel-2a irá operar também com uma plataforma adicional, permitindo maior chance de observações diretas do solo
A política de dados abertos da União Europeia permite que qualquer pessoa possa baixar e manipular as imagens do Sentinel.
E diferentemente de registros de satélites especializados, que são de difícil interpretação, as imagens coloridas do Sentinel-2a são simples.
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que controla o satélite, espera uma grande demanda pelas imagens. O site do sistema, inclusive, enfrentava problemas de instabilidade nesta semana, provavelmente motivados pelo alto tráfego.
Milhares de pessoas já se registraram para fazer downloads do Sentinel - a maioria estava interessada nos registros mais complexos de radar produzidos por outro equipamento da mesma família, o Sentinel-1a.
"Esperamos que a procura por dados do Sentinel supere todos os precedentes. Já está sendo algo nunca visto. Nunca tivemos tantos downloads", afirmou Volker Liebig, diretor de Observação da Terra na ESA.
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Image captionO trabalho do Sentinel foi apresentado durante a Conferência do Clima de Paris, cidade retratada na imagem
"É difícil estimar qual será a demanda para o Sentinel-2a, mas certamente será em petabytes." Um petabyte equivale a aproximadamente a 200 mil DVDs.
Imagens óticas (basicamente aquelas que podemos ver) são a pedra fundamental da observação da Terra, e aparecem cada vez mais em aplicativos móveis e na internet.
Um grande sucesso nessa área é a série do programa americano Landsat, que há mais de 40 anos fornece um registro contínuo das mudanças do planeta.
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Image captionIncêndios florestais em Kalimantan, na Indonésia, responsáveis por problemas de poluição no Sudeste Asiático neste ano
O Sentinel-2a terá um papel complementar ao Landsat, mas com maior capacidade - o que explica a estimativa de alta procura pelas imagens.
Os instrumentos do 2a são sensíveis a um maior número de espectros de luz, permitindo o discernimento de mais informações sobre a superfície. Também irão cobrir uma faixa maior de solo (290 km contra 185 km no Landsat). Suas imagens coloridas possuem ainda uma resolução de dez metros, contra 30 metros do sistema americano.
O Sentinel-2a ainda não opera em plena capacidade, mas especialistas avaliam que os primeiros registros já cumprem as expectativas de qualidade.
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Image captionO Sentinel-2a integra uma série de sensores da União Europeia e é gerenciado pela agência espacial do bloco
Bianca Hoersch, da ESA, diz que ajustes de qualidade estão em curso, e que o download de um registro de 5 GB deverá demorar menos de dez minutos.
Quem planeja baixar imagens do satélite deverá ter memória suficiente no computador, pois os arquivos são pesados.
O próximo satélite da família Sentinel a ser lançado dentro do bilionário programa Copernicus da União Europeia é o 3a. O foco desse equipamento, que deverá ser lançado no próximo mês, será os oceanos.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Por que às vezes temos a sensação de cair quando estamos adormecendo?

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Image captionMovimentos súbitos podem gerar sensação de "explosões" na cabeça em casos extremos
Todos nós já devemos ter experimentado aqueles movimentos súbitos que o corpo faz quando estamos adormecendo. A sensação é comum e, se combinada com um sonho, pode dar a sensação que você se moveu ou caiu.
Quando ela parece parte de um sonho, isso é chamado de incorporação, e mostra a fantástica capacidade de improvisação de nossa mente, explica o neurocientista Tom Stafford, da Universidade de Sheffield, do Reino Unido.
A experiência, conhecida como espasmo hípnico, revela o conflito que se passa em nosso cérebro quando “desligamos” para dormir.
Durante o sono, nossos corpos estão paralisados e ficamos indiferentes aos eventos no exterior. O controle de nossos músculos, por sua vez, não é desligado tão facilmente assim.
Uma área do cérebro, conhecida como sistema de ativação reticular, controla funções básicas, como respirar, e nos diz para ficarmos alertas ou não. Outra, o núcleo ventrolateral preóptico, localizado perto do nervo ótico, decide se estamos ou não cansados.
À medida que caímos no sono, o sistema reticular abre mão do controle, que é assumido pelo núcleo ventrolateral preóptico.
O processo é como a diminuição da luz de um quarto com um interruptor do tipo dimmer, que controla a intensidade da iluminação.
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Image captionProcesso de "desligamento" é menos pacífico que se imagina
Os pulsos de energia aparecem sob a forma de espasmos, por razões que ainda não compreendemos bem.
Mas, ao contrário dos movimentos rápidos dos olhos (REM), os espasmos não têm nada a ver com os sonhos. Eles são, na verdade, os últimos vestígios do dia que chega ao fim quando dormimos.
Um estranho e desagradável fenômeno, chamado de “síndrome da cabeça explosiva”, segue um padrão similar: as partes adormecidas e despertas de nossa mente lutam para tomar o controle umas das outras, o que resulta na sensação de ver luzes piscando ou de ouvir estampidos.
Em casos extremos, o fenômeno leva a casos de insônia e até mesmo a relatos de abdução por alienígenas.
Em geral, a sensação não é nada que deva preocupar.
“Há uma simetria entre os movimentos que fazemos quando vamos dormir. REMs são traços de sonhos que podem ser vistos no mundo dos despertos. Espasmos hípnicos são traços da vida acordada que se intrometem no mundo dos sonhos”, afirma Stafford.

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Qual inseto emite o som mais alto?

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Image captionGafanhotos estão entre animais que gostam de fazer barulho
O canto da cigarra é conhecido como um dos grandes sons da natureza. Esses pequenos insetos emitem um som enigmático e muito, muito alto.
Os machos fazem este som ao flexionar repetidamente órgãos que parecem baterias em seu abdômen - o qual é quase todo oco, o que intensifica o som. Machos maiores têm cantos mais altos, e por isso têm mais chances de atrair uma fêmea.
Mas será que esse é o barulho mais alto feito por um inseto? John Petti, que era da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, decidiu descobrir. Ele foi atrás de pesquisas e perguntou a outros entomologistas (profissionais que estudam os insetos) quais poderiam ser os insetos mais barulhentos.
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Image captionCircotettix Rabula foi um dos sugeridos, mas não levou o prêmio de mais barulhento
Surgiram vários candidatos da ordem Orthoptera (grilos e gafanhotos), incluindo um tipo de grilo campestre da Malásia, uma espécie chamada Circotettix Rabula(foto acima) e outra conhecida como grilo-toupeira. Esse último ganhou o prêmio de mais barulhento neste grupo, com 96 decibéis a uma distância de 50 cm.
Mas descobriu-se que várias espécies de cigarra emitem sons ainda mais altos. O som mais alto foi um canto de alarme de 108,9 decibéis emitido por uma Tibicen walkeri, da América do Norte.
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Image captionGrilo-toupeira emite sons de 96 decibéis
Mas Petti decidiu que iria considerar o volume mediano para apontar o vencedor. AT. Walkeri, a 50 cm de distância, chegava a 105,9 decibéis, não tão alto quanto os 106,7 decibéis da Brevisana brevis, uma cigarra africana.
Apesar de eles parecerem semelhantes para os ouvidos humanos, os sons que as cigarras fazem para atrair fêmeas e para dar alertas são diferentes. Um estudo mostrou que o som de alerta da cigarra do deserto (Diceroprocta apache), apenas 0,5 mais baixo que o da detentora do recorde, reduz a eficácia dos ataques de um de seus predadores, um roedor.

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Image captionCigarra Imperatriz: verdadeira campeã?
Mas a B. Brevis pode não ser a detentora deste título para sempre. Em um estudo feito em 1995, entomologistas mediram o volume de cantos de chamada feitos por 30 espécies de cigarras e os cantos de alerta de 59 espécies, todas na América do Norte. Eles concluíram que o nível de barulho que elas conseguiam atingir tinha correlação com sua massa corporal.
Enquanto a B. Brevis pesa 0,3g quando seca, a gigantesca cigarra Imperatriz do sudeste asiático, que tem envergadura da asa de 18 a 20 cm, pesa cerca de 2g. Pessoas que ouviram seu canto dizem que ele é extremamente alto, mas ele nunca foi medido cientificamente. Pode ser apenas isso que impede a Imperatriz de conquistar o recorde.

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